Agora tomo a responsabilidade pessoal, não de retificar
a Tradição, mas de contribuir com uma nota pessoal,
com um ponto de vista que é meu, em um conjunto de
idéias que me foram apresentadas no curso de minha
evolução.
O 12 de novembro de 1947 é a data que o Maestre considera
como a do início do movimento da Grande Fraternidade
Universal e do princípio de sua Missão Pública,
já que adota o voto de nazareno, que consiste em adotar
uma série de regras de vida que lhe permitam enfocar
toda sua atenção e dedicação às
práticas mais elevadas do yoga e da espiritualidade.
Este voto implica, entre outras coisas, abster-se de tocar
dinheiro e manter relações sexuais, canalizando
assim toda sua energia na realização de uma
peregrinagem externa e interna, conseguindo assim um contato
profundo consigo mesmo e com os discípulos.
Neste dia viaja acompanhado de sua companheira ruma a Nova
York, partindo do porto de Lê Havre no navio Oregon,
para trasladar-se posteriormente a Guatemala, como escala
de sua viagem à Venezuela.
O Maestre desembarca em Nova York a 22 de novembro de 1947
e aí realiza diversas conferências no Carnegie
Hall em Manhattan, na Igreja Metodista em Brooklyn, assim
como em diversas lojas maçônicas:
“O Maestre estava ainda vestido metade branco , metade
azul (um “tau” azul sobre a camisa), quando desembarcou
sobre o continente americano (Nova York). Na América
Latina trocou sua vestimenta em totalidade de branco para
iniciar a 18 de Janeiro de 1948 a fundação oficial
da sede central da G.F.U. na Venezuela e estar pronto com
seus primeiros missioneiros a 21 de março de 1948...”
(56,34)
Dias mais tarde, se traslada via aérea a Guatemala,
aonde chega a 2 de dezembro de 1947, aí se hospedando
com familiares de sua companheira. Na Universidade de São
Carlos, da cidade de Guatemala, dita uma conferência
sobre Astrologia em 4 de janeiro de 1948.
O Maestre viaja à América com uma idéia
muito precisa do papel que este continente – e particularmente
a América Latina – desempenhará na Nova
Era. Ele afirmará que ao largo das cordilheiras do
continente, uma transformação cultural vai se
desenvolver, nos próximos anos:
“A teoria de que a América deve seu nome a um
dos primeiros navegantes que desembarcaram no continente,
isto é, Américo Vespúcio, não
é tão acertada porque, em realidade, deveria
tratar-se de Alberic!. Quando Alonso de Ojeda passou pela
América Central em 1499, os indígenas da Costa
de Cumara denominavam já o continente de Amérriqua,
que quer dizer em língua maia: o país dos ventos.”
(60,189)
”A América do Sul está destinada ao mais
brilhante porvir, é a eterna repetição
da história; ela vai acolher a elite de todas as partes
do mundo e será a fonte de um esplendor e de uma renovação
cultural; por outra parte , devido ao eletromagnetismo do
globo (que muda coincidindo com a época aquariana a
partir de 1948) o centro espiritual do mundo se estabelece
pouco a pouco na cordilheira dos Andes, no mesmo lugar onde
há milhares de anos atrás o Santuário
supremo resguardava os Grandes Mestres.” (60,190)
O Maestre chega a Venezuela por via aérea, no aeroporto
de Maiquetia, Caracas, um sábado chuvoso, a 17 de janeiro
de 1948, portando um passaporte diplomático. É
recebido por um casal de discípulos franceses, que
se haviam dirigido a Venezuela por outra via, em um barco
italiano, desde a França, para preparar sua chegada.
No mesmo aeroporto, o Maestre é abordado pela imprensa
local, convocada pelos discípulos do Maestre; o periódico
“O Nacional” de Caracas publica uma entrevista
com o Maestre:
“O Dr. de la Ferrière, presidente-fundador da
Associação Mundial de Cosmobiologia e presidente
da Federação Internacional de Sociedades Científicas
chegou de avião desde Guatemala, depois de haver dado
conferências n
o Carnegie Hall de Nova York e de recrutar
adeptos para seu movimento.”
“– Qual é esse movimento?”
Raynaud de la Ferrière se recolheu em sua capa branca,
escondendo umas bombachas da mesma cor.
”– Não é uma nova religião.
Em suma poderia considerar-se como um novo cristianismo. Trato
de expor a idade nova que se deve instaurar para preparar
o ciclo de 2000 anos que nos espera.
É sobretudo um regresso à religião, à
explicação do dogma. Você me compreende?”
”– Um pouco...”
Por meio dessas primeiras entrevistas periodísticas,
no dia seguinte, domingo, 18 de janeiro de 1948, aquele que
se converteria em seu primeiro discípulo toma conhecimento
de sua chegada ao ler a nota periodística que fizeram
sobre o Maestre no diário “El Sol”:
“No domingo próximo, a 18 de janeiro, data memorável
para aqueles que sintam muito internamente o simbolismo universal,
às 10 da manhã, em uma humilde casa situada
na avenida que conduz ao manicômio, já para começar
os trabalhos dominicais que junto a um grupo de estudantes
de esoterismo verificava com exata periodicidade, ao sair
ao pátio para tomar um copo d’água, se
aproxima de mim minha comadre Eva, com um exemplar do “El
Sol”, correspondente ao dia, dizendo-me: ‘Tome,
compadre, “O Sol”, que traz a notícia de
um astrólogo francês que chegou a Caracas há
pouco, para você que gosta das coisas de Astrologia,
eu o comprei.’
Agradecendo-lhe e em seguida lendo a manchete da informação
e vendo a foto de um homem, muito mal tomada, decerto, disse
a minha comadre: ‘Este não é um simples
astrólogo, este é o homem que espero há
muitos anos e que, para ele, nos reunimos todos os domingos
neste lugar (...)’ Correu à sessão de
estudos no grupo, como sempre, com uma novidade: se aprovou
ir a conhecer o ‘Astrólogo’; para alguns,
foi esta notícia objeto de burla, e para outros causa
de respeito ao então ‘irmão Estrada’...”
O local onde se reunia semanalmente o Maestre Estrada com
seus discípulos era de sua propriedade, e a utilizava
para suas reuniões e como habitação de
uns parentes. Posteriormente, esta propriedade seria doada
pelo Maestre Estrada à Grande Fraternidade Universal,
para edificar a sede central do movimento. O Maestre de la
Ferrière aceitou essa doação para a G.F.U.
tanto pelo seu aspecto prático, como por ser o lugar
onde ele era esperado fazia dez anos e onde, pela primeira
vez, foi reconhecido como Maestre.
A importância do encontro entre os Maestres é
fundamental para entender a G.F.U., já que o Maestre
Estrada ocupa um lugar de primeira ordem na construção
dessa Instituição.
Desde sua primeira infância, ele mostra um caráter
inato que lhe facilitou uma formação auto-didática,
e um interesse e predisposição natural para
o exercício de um pensamento profundo e inspirador.
Ele nos relata algo de sua história na seguinte passagem:
“Fazendo algo de história, direi: quando tinha
6 anos de idade, comecei a estudar a Lua e demais estrelas
sem Mestres. Quando tinha 10, pude predizer que o mundo não
se acabaria com a passagem do cometa Halley, ainda que Camille
Flamarion, o eminente astrônomo francês, não
garantia a vida na terra.
No ano de 1925, o Maestre (de la Ferrière) tinha 9
anos de idade, e ainda não pensava em seu destino crístico,
quando se apresentou a mim em Chacaito, lugar fora de Caracas,
um ancião de cabelos e barbas longas, de baixa estatura,
e me entregou um livro para que o lesse sem anotar nada, onde
se encerrava uma grande sabedoria em claves (antes de que
o Maestre começasse sua missão, se apresentou
a ele, em França, na mesma forma, um ancião
e lhe entregou um livro. Quando o quis devolver, o ancião
não existia, nem ninguém o havia conhecido no
Hotel onde o Maestre o havia visto. Foi ele que o iluminou
e disse: ‘Tens que cumprir uma missão’).
Disse-me que me entregaria um grande tesouro que não
se me acabaria nunca. Chegou um momento em que desapareceu
em forma misteriosa...” (6,301)
O Maestre Estrada nos descreveu a experiência que lhe
deu a segurança de sua missão e a certeza de
que tinha que esperar seu Maestre no ano 33, ano em que, depois
de um conflito afetivo que durou 13 anos, recebeu a iluminação,
em uma manhã, ao despertar. Dias depois desse acontecimento,
um sábado à noite, o Maestre Estrada experimentou
uma visão na que viu a figura do Maestre:
“Foram momentos de verdadeira aflição
em que o vi e começou sua conversa comigo com esta
frase: ‘Tens uma missão a cumprir’ (...)
Nela me revelou todo meu futuro, deixando-me atônito,
sem poder dormir.0
O Maestre tinha, então, 17 anos. Desde aquele momento,
começou mudar minha vida, comecei a meditar seriamente
sobre minha missão. Aos 38 anos (1938) resolvi preparar-lhe
o grupo (...) e comecei a anunciá-lo entre minhas amizades
e, naturalmente, me tratavam de louco. Lentamente, fui agrupando
homens e mulheres, que encontra
vam em meu grupo uma profunda
paz e um grande respeito entre eles.” (6,302)
A 19 de janeiro de 1948, o Maestre de la Ferrière concede
uma nova entrevista, desta vez ao periódico “El
Heraldo”, a qual aparece em sua edição
vespertina do dia seguinte, onde declara:
“Fazem 32 anos que nasci em Paris, desde os dezessete
que me dediquei por completo a estudar astrologia, magnetismo,
etnografia, etc.”
O repórter do diário, ao entrevistar o Maestre,
lhe faz perguntas com a intenção de receber
predições do tipo astrológico, particularmente
de caráter político, das quais o Maestre responde
àquelas de caráter internacional cuidando de
não se referir a temas locais, já que desconhece
com exatidão as restrições à liberdade
de imprensa da Venezuela:
“Depois da Guerra Mundial de 1963, os Estados Unidos
sairão triunfantes desta contenda. O comunismo está
destinado a desaparecer violentamente. Na URSS, imperará
a teocracia. Será uma nova idade no mundo científico.”
Ao dia seguinte a esta entrevista, em 20 de janeiro de 1948,
às 20:30 horas no Hotel Royal, na Paróquia “La
Pastora” onde se hospedava, o Maestre recebe uma delegação
da Igreja Católica Liberal, que era dirigida pelo Maestre
Estrada.
Segundo nos informa Arturo Alvarez, a Igreja Católica
Liberal teve suas origens na Igreja Jansenista, chamada assim
pelo obispo Cornelius Jansen (1585-1638), teólogo holandês
cujo pensamento está plasmado em seu livro “Augustinus”.
Depois se chamou Antiga Igreja Católica, dirigida por
Asnold Harris Mathews, na Inglaterra.
Desde princípios do século se ordenaram sacerdotes
muitos ex-ministros Anglicanos e Teósofos. Desde 1918,
mudou seu nome para Igreja Católica Liberal, separando-se
da Igreja de Roma. Esta Instituição era dirigida
totalmente por teósofos, e tinha entre seus objetivos
a difusão dos ensinamentos teosóficos e preparar
a vinda do Grande Instrutor.
O Maestre Estrada narrou com detalhe este primeiro encontro
com seu Maestre:
“...ao entrar no hotel, nos recebe um francês
alto, magro, com a testa tão pequena que o cabelo parecia
que lhe caía sobre as sobrancelhas. Todos críamos
que tínhamos à frente o famoso astrólogo,
contudo eu pressenti rapidamente antes que nos dirigisse a
palavra que aquele não era o homem que eu esperava
e abrigava a esperança de que algo ocorreria que me
desse a razão. Efetivamente, aquele magro francês
nos pergunta em péssimo espanhol: ‘Vêm
conhecer o Mestre?’ Nossa resposta foi afirmativa, ele
nos responde: ‘Por favor, esperem, já vem.’
Momentos depois, aparece, ao abrir-se a porta do fundo, a
figura de um HOMEM em toda a extensão do vocábulo.
Era alto, perfeitamente reto, modos varonis porém distintos,
elegante, se cabe a palavra. O rosto indescritível,
se lia naqueles olhos pardo-claros todo o amor e a sabedoria
dos séculos, o semblante nazareno, de tez amarela como
a cera, sorriu por um momento ao levar a mão esquerda
ao plexo solar e com um que de alegria e tristeza nos lábios,
estendendo-nos a mão direita nos deixou ouvir sua voz
suave, oferecendo-nos estes dois vocábulos: ‘La
Ferrière...!’, dizendo esta frase, apertou nossas
mãos com firmeza e para mim começou uma nova
vida.” (6,588)
“Depois de falar algum tempo com um de meus discípulos
em inglês, durante o qual nós não perdíamos
um detalhe de suas mãos, pele, barba crística
ruiva, um tanto acanalada próximo às orelhas;
o cabelo comprido da cor da barba, os pés calçando
sandálias. Usava camisa e calça brancas de linho,
demonstrava ser portador de uma profunda sabedoria.
Ao terminar de falar com nosso discípulo, a quem chamávamos
‘Sonamir, o semeador’, se voltou para mim e me
disse: ‘Você, o que me diz?’ Respondi-lhe:
‘Há dez anos que lhe estou esperando em companhia
de um grupo formado para o senhor, ignorava de onde havia
de vir, porém estava seguro, Maestro, de que nos encontraríamos;
estava seguro de que o senhor viria; tenho um grupo, pois,
que está sua disposição’.
Ele me perguntou: ‘Como você se chama e que dia
nasceu?’ Eu o satisfiz em suas perguntas e pedindo a
sua esposa um aparato que usava para determinar a posição
dos planetas em determinada data, me disse: ‘É
com você que me interessa ter contato em Venezuela (...),
os demais são secundários’” (6,190/588)
O aparato que utilizou o Maestre para determinar a posição
dos planetas, as casas e o ascendente de seu primeiro discípulo
é uma régua de cálculo que se chama domígrafo,
que é um nomograma, que permite obter em forma gráfica
as cúspides das casas. O Maestre, cuja primeira profissão
é a de engenheiro de minas, deveu ter contato direto
com o construtor dessa régua de cálculo, chamado
Niclot.
Neste encontro, tem início a relação
entre o Maestre e seu primeiro discípulo, que juntos
construiriam a Grande Fraternidade Universal, um trazendo
o en
sinamento básico e a mensagem de renovação
cultural, o outro nos feitos concretos atuando publicamente
na sociedade contemporânea, através de 34 anos
e seis meses de trabalho ininterrupto, a partir desse contato
com seu Maestre.
“Três dias depois daquela reunião, onde
me presenteou com uma foto sua tendo por dedicatória
passagens bíblicas, se realizou uma reunião,
esta de maçons, rosacruzes e teósofos, que se
juntaram para fazer-lhe perguntas e tratar de calá-lo
(...) Não obstante, naquela reunião onde também
haviam discípulos meus, se colocou o problema de tira-lo
daquele hotel por não haver possibilidades de mantê-lo
ali.
Assim, decidiu-se pela sua saída para a casa de um
irmão de meu grupo que vivia em El Limón, perto
do que hoje é o Ashram. Ali se desenvolveu sua missão
em forma muito humilde porém sem faltar-lhe o indispensável,
já que os irmão se comprometeram a ajudar-lhe
de acordo a suas possibilidades, ainda que aqueles tempos
eram muito difíceis...” (6,81)
Esse discípulo do Maestre Estrada que ofereceu ao Maestre
sua casa era “o irmão Sonamir”, e ele é
lembrado de maneira especial por este gesto de hospedar o
Maestre nos inícios da G.F.U. e por ser o autor de
uma oração que depois foi adotada pelos discípulos
do Maestre denominada “Oração Universal”
O Maestre parte dia 31 de janeiro ao povoado de chamado El
Limón, a sete quilômetros de Maracay, estado
de Aragua, onde funda o primeiro Ashram da G.F.U.; neste lugar,
prepararia seus três discípulos mais avançados,
e que posteriormente ele mesmo reconheceria e instruiria como
Gurus (Mestres): José Manuel Estrada, Juan Victor Mejías
e Alfonso Gil Comenares, este último tendo se encontrado
com o Maestre um ano mais tarde, em 1949.
Ashram é o nome sânscrito que é utilizado
na Índia para designar o lugar de retiro de um Mestre
espiritual, de um Guru, o lugar onde as pessoas se esforçam
para a realização espiritual. O Maestre de la
Ferrière continua utilizando esse nome para ser preservado
na Grande Fraternidade Universal e significando assim a relação
tradicional entre um Mestre espiritual e seus discípulos.
Estes Ashrams, na história da espiritualidade oriental,
constituíam-se desde de uma pequena choça onde
vive o Guru rodeado de seus Chellahs , em algum vale ou montanha,
até modernas instalações que contam com
dormitórios, restaurantes, salas de estudo, templos
para a meditação ou a oração,
zonas recreativas e de acampamento, auditórios, bibliotecas,
entre outras coisas.
Este primeiro Ashram de El Limón se estabeleceu de
maneira muito sóbria e simples, contando apenas com
um par de cabanas de campo, com piso de terra. Aí,
o Maestre cumpriu uma vida cotidiana inspirada, realizando
suas disciplinas de yoga, os ensinamentos aos discípulos
e sua atividade como escritor.
Acompanharam-no dias depois de sua chegada ao Ashram seus
discípulos Juan Victor Mejías e Ismael Pacheco,
os próprios que, junto ao Maestre Estrada, foram os
primeiros membros da Grande Fraternidade Universal, a quem
o Maestre outorgou um reconhecimento por seu desenvolvimento
pessoal, conferindo-lhes o primeiro grau Iniciático.
O Maestre Estrada recordou em um de seus comunicados como
era a vida diária do Maestre de la Ferrière
nesse primeiro Ashram:
“Nosso Maestre, ao chegar a Venezuela, organizou a hora
das atividades espirituais na seguinte forma: 6 da manhã,
cultura física; 7 da manhã, Cerimonial Cósmico;
12 da manhã, Yoga; 7 da noite, meditação...”
(6,201)
“Aquele HOMEM, no social, era todo um cavalheiro, era
excepcional sua figura, de alta estatura, perfeitamente ereto,
de tez de cera, um homem de cabelo ruivo não muito
comprido, a barba algo espessa, porém amarela e com
um pouco de tom de canela nas costeletas. Tinha um olhar verdadeiramente
imponente sem ser dura, doce ao mesmo tempo em que fortemente
expressiva. Possuía um magnetismo tal em seu rosto,
um feitiço para aqueles que dele se aproximavam, que
era muito rara uma pessoa que falasse diretamente com ele,
em forma séria, que não ficasse gravado seu
rosto em sua imaginação.”
“Lembro-me de seus discípulos todos chegamos
a dizer isso: ‘Que será que tem o Maestre que
não me sai da mente?’ Todos dizíamos o
mesmo, até que um dia, no Colégio Iniciático,
perguntamos a ele: ‘Mestre, por que ocorre isso de termos
sempre sua imagem estampada aqui na frente?’ Ele respondeu:
‘Se isso não fosse assim, vocês não
seriam discípulos e eu não seria um Mestre.’”
“Me lembro de que a respeito de meu (...) Maestre, em
El Limón, um dia, às 12 da manhã, me
encontrou quando estava semeando uma muda de manga; sorriu
e eu lhe disse: ‘Eu a estou plantando para ver se em
minha próxima reencarnação como mangas
dessa muda’; ele me respondeu com os olhos fulgurantes:
‘– Você pensa voltar?’
A mim, me deu vergonha e lhe disse:
’– Bom, Mestre.’
Voltou a me dizer:
’– Então, pensa voltar?’
Por medo, lhe disse:
’– Não.’
Me disse:
’Porque eu vim para vocês se salvem, Estrada.’
Respondi-lhe:
’– Está bem, Mestre, aqui não aconteceu
nada...’” (6,407)
Anos depois, o Maestre Estrada, frente às deformações
religiosas dogmáticas da obra do Maestre de la Ferrière,
em que se chegava inclusive a proibir que se falasse nas instalações
da Instituição ou durante as refeições,
recorda a vida de seu Maestre no Ashram de El Limón:
“Os que estivemos com ele devemos recordar que nunca
no Ashram se usou esse sistema. Ele... era um homem perfeitamente
normal, equilibrado, se não o houvesse sido, não
teria dito essas palavras:
‘– Quanto Estrada está no Ashram, o Ashram
está em festa.’
Não se referia a uma festa religiosa, já que
ele... não era uma pessoa religiosa, que vivia metida
no templo, só entrava nele na hora da cerimônia
e para a meditação.
Referia-se a que Estrada tinha um caráter alegre, sem
maneirismos, natural, sincero. No Ashram de El Limón,
nos tempos do Maestre, certos discípulos, quando o
Maestre lhes repreendia, costumavam entrar em jejum forte
para purificarem-se; em uma ocasião, que correspondia
ao turno do então Victor Mejías, perguntei ao
Mestre:
‘– Por que jejuam?’
Me respondeu:
’– Não é minha culpa, Estrada. Assim
são eles.’
E se voltou, como se tratasse de se conformar.” (6,222)
O Maestre Estrada nos mostrou uma dimensão espiritual
de seu Maestre com um definido enfoque humano, cotidiano,
sem venerações religiosas ao personagem:
“...nosso Maestre se apresentou ao mundo como um homem
entre os homens, tão humano que, na realidade, fora
daquela presença, daquele magnetismo, era um homem
que atuava como os demais homens, porém não
como um homem simplesmente vulgar, senão como um homem
decente, digno de todo o apreço.
Recordo que na mesa , na hora de comer, dizia: ‘Não
se deixa comida no prato, faça-se isso por aqueles
que neste momento nada têm que comer’, e ele era
o primeiro a cumprir suas ordens, limpava seu prato depois
de terminar com um pedaço de pão. Era um homem
que comia com dois comensais ao lado, um era um cachorro que
se chamava Quinconcio, à sua direita, e o outro era
uma gata cujo nome não me lembro; à gata, dava
queijo e ao cachorro, leite.”
“As pessoas que conviveram com o Maestre nesta época
afirmam que ele vivia de uma maneira por demais simples, em
contato direto tanto com seus discípulos como com seus
visitantes, comia com todos, e dedicava parte de seu tempo
ademais das disciplinas por ele adotadas, a escrever seus
textos, a dar ensinamentos a seus discípulos e atender
aos assistentes em consultas pessoais.”
Neste período, terminou sua segunda mensagem: “Os
Centros Iniciáticos”, que havia iniciado na América
Central: ‘QUERER é o símbolo da mensagem
número II, onde se vê a necessidade iniciática,
e sua explicação com uma vista elementar de
nosso trabalho.’” (59,31)
“Aquarius é a Nova Idade cujo advenimento origina
este período de transição em que vivemos
atualmente. A decadência da civilização
materialista demonstra, sem sombra de dúvidas, o monstruoso
erro em que incorrem aqueles para quem a religião e
o espírito religioso era, em geral, o ‘ópio
dos povos’...” (16,81)
Nesta segunda mensagem, o Maestre nos indica um novo paradigma
para o estudo das ciências até então conhecidas
como ocultistas, para chegar ao estudo de uma nova visão
dessas ciências transcendentais:
“Os tempos do ensinamento subterrâneo passou,
cheio de mistérios inexplicados, onde a luz era cuidadosamente
filtrada, onde toda instrução toma um aspecto
de ocultismo malsão.” (16,86)
“A Nova Era (Aquarius) traz a dissolução
das cristalizações convertidas freqüentemente
em dogmáticas, fanáticas e intolerantes. Agora
se cumprem depois de tantas outras, as grandes profecias relativas
à Era de Aquarius,caracterizada pelo esclarecimento
e a explicação de mistérios até
agora ensinados de uma maneira velada e simbólica:
UMA CONCILIAÇÃO ENTRE O ESPÍRITO E A
LETRA, por uma instrução indutiva e dedutiva,
por um espírito de síntese sucedendo ao de análise,
por um equilíbrio conciliando as vias intuitivas, imaginativas
e sensitivas, e as vias de raciocínio, dedução
e positivismo científico e matemático.”
(16,87)
Com este novo enfoque no ensinamento, o Maestre assinala o
final do mecanismo que durante tantos anos prevaleceu nas
ciências, e destaca a necessidade da presença
do Instrutor, do Maestre que viven
ciou, ele próprio,
o ensinamento, e pode traduzi-la aos discípulos, evitando
que o essencial se converta em mero ritual sem conteúdo,
ou dogma sem transcendência:
“Se mediante as doutrinas secretas entramos no domínio
esotérico, apesar de todas as grandes teorias, tropeçamos
com o ceticismo da horrenda congregação de mecano-materialistas...
Apesar dos escritos que puderam perpetuar-se através
dos séculos, unicamente o ensinamento verbal ficou
como o verdadeiro veículo de instrução,
e os ‘pergaminhos’, as ‘claves’ não
são mais que referências para a vida Iniciática.
Em todas as seitas, ademais de seu ritos ou de seus manuais
de dogmas que contém quadros, selos, fórmulas,
que representam unicamente concordâncias, procedem os
Mestres à Iniciação de seus adeptos.”
(16,133/134)
Ao dia 21 de março de 1948, o Maestre realiza uma Cerimônia
especial para dar início formal a este novo período
histórico que ele veio assinalando, e que ele chamou:
a Era de Aquarius.
A esse respeito, motivado pela demanda dos membros da G.F.U.
e pelas posições de alguns estudantes de astrologia
que tratam de fundamentar suas teorias com princípios
das ciências empíricas, confundindo os princípios
da astronomia com o simbolismo astrológico, realiza
em uma de suas cartas circulares uma exposição
a que denomina: Como calculam os Aquarianos a posição
do Universo na era de Aquarius, que em seus aspectos essenciais,
resumo a seguir:
“São muitos os que parecem esquecer duas coisas
primordiais (...) É verdade que o fenômeno da
precessão equinocial TOTAL requer 25.920 anos, por
outro lado, não é completamente exato que cada
‘Era’ seja um lapso de tempo igual a 2.160 anos
(...) Não é de nenhuma maneira seguro que estejamos
em 1958 ou 1959 (já que nosso calendário foi
‘cortado’ em várias ocasiões) e,
ademais, não se sabe exatamente o momento a partir
do qual os cristãos começaram a contar o tempo,
já que tudo foi organizado vários anos depois
da morte de Cristo Jesus (...)
“O Zodíaco é uma ronda SIMBÓLICA
de 12 signos, cada um com 30 graus simbólicos; enquanto
a eclíptica (não confundi-la com o equador celeste)
é uma linha que passa dentro das constelações
principais, as quais, de nenhuma maneira, são iguais
entre si.”
“Assim, temos a Astrologia tradicional, que considera
que o Sol recorre (...) sempre segundo a ‘simbologia’
a razão de mais ou menos um grau por dia. Enquanto
a Astronomia, ela se ocupa preferentemente do estudo das constelações
(e não dos signos zodiacais). Assim, no que concerne
à precessão dos equinócios (movimento
aparente do sol que recorre em sentido inverso o Zodíaco
– a eclíptica – à razão de
um grau a cada 72 anos), devemos saber que cada constelação
não tem 30 graus exatamente cada uma, e que assim as
Eras duram algumas delas mais, outras menos de 2.160 anos
(...)”
“Por exemplo, se tomamos em conta CIENTIFICAMENTE, as
posições exatas (segundo a precessão
dos equinócios – ou seja, um grau a cada 72 anos),
devemos corrigir que Áries não se situa entre
21 de março a 20 de abril; Touro não está
compreendido entre 21 de abril e 21 de maio, etc... senão
que há que mudar essas datas e estabelecer assim: Áries,
17 de abril; Touro, 14 de maio; Gêmeos, 20 de junho;
Câncer, 19 de julho; Leão, 9 de agosto, Virgem,
15 de setembro; Libra, 29 de outubro, Escorpião, 23
de novembro; Ofiucus, 28 de novembro; Sagitário, 17
de dezembro; Capricórnio, 18 de janeiro; Aquário,
14 de fevereiro; Peixes, 21 de março (...) Tiramos,
em seguida uma lição, que é a de que
assim se pode verificar que as constelações
têm tamanhos irregulares entre si (Áries, 27
graus; Touro, 37 graus; Gêmeos, 29 graus, etc.) (...)”
“A Era de Touro foi maior que a Era de Gêmeos,
a era de Áries, mais curta que as precedentes. Assim,
se pode verificar de imediato que a Era Pisciana no foi de
2.160 anos, já que não tem 30 graus, senão
27 graus somente. A Era de Aquarius (ou “Acuarius”,
como dizer vocês, não empregando o termo ortográfico
latino, com um ‘q’, mas com um ‘c’)
durará muito mais tempo, já que esse signo se
estende a 35 graus sobre a aclítica (...)”
“Concretamente, não há nenhuma certeza
sobre a data (ano) de nascimento do Grande nazareno, nenhum
fato histórico pode comprovar sua vinda (...) A constelação
simbolizando a Idade Cristã (Peixes) tem exatamente
27 graus e 6 minutos, o que multiplicado por 72 ( ou seja,
o lapso de tempo necessário para que o sol faça
sua trajetória aparente sobre a eclíptica de
um grau) nos dá um total de anos equivalente a: 1948,32,
ou seja, o ano de 1948 (27,06 por 72 = 1948,32), ou seja o
ano de 1948, com uma fração equivalente a uns
3 meses.
Assim se estabelece muito bem: ‘simbolicamente’
o começo da Era de Aquarius, que é o dia em
que o sol em seu movimento aparente entrou no signo de Áries,
ao mesmo tempo em que o ponto vernal se encontra no primeiro
grau da constelação de Aquarius, ou seja, a
21 de março de 1948.” (57,90/92)
A estadia do Maestre na Venezuela vai de 17 de janeiro de
1948 a 2 de junho de 1949 (503 dias), onde prepara principalmente
seus três discípulos diretos; o Maestre, neste
período, está dedicado ademais das práticas
ashrâmicas tradicionais, a dar consultas de medicina
(curas por magnetismo) pelas quais ele não cobra, à
elaboração de sua literatura e realizando semanalmente
viagens à capital venezuelana:
“Durante a etapa da vida no Ashram em El Limón,
o Maestre viajava às 6as feiras a Caracas para atender
a três atividades fixas: a Escola Iniciática,
o Cerimonial Cósmico no Templo aos domingos e o Conselho
Supremo. Também dava conferências a nível
universitário, palestras em templos Maçônicos
(em uma ocasião, levou um ramo de acácia com
seu significado especial para a Maçonaria) e assistia
ao ofício do Alto sacerdote da Igreja Católica
Liberal na Igreja de São Clemente Parois (...) Quando
ia a Caracas, se reunia com um grupo de irmãos no Edifício
Orinoco.” (7,68/69)
Desta época, enquanto corria o ano de 1948,Maestre
o Maestre nos relata de algumas de suas muitas passagens anedóticas
vividas junto a seu Maestre:
“...um sábado, às 12 da noite no Edifício
Orinoco em Caracas,, agarrando-me as mãos e com os
olhos cintilantes, me disse: ‘Estrada, entenda, temos
que transformar o mundo.’” (6,205)
“Recordo que na estrada de Caracas a Maracay, o sábado
santo de 1948, me disse: ‘Tua missão não
é inferior à minha’ (foi a única
vez que o ouvi dirigir-se a mim na 2(TM) pessoa). Isso me levou
á conclusão de ele tinha uma missão na
Europa e o H. M. na América.”
“Em uma ocasião, os maçons nos convidaram
a uma reunião da Grande Loja onde se reuniam todas
as Lojas da Venezuela para ouvir sua palavra. Quando chegou
o momento, passou ao Oriente, como dizemos os maçons,
voltou-se e disse: ”Tome a palavra por mim, Estrada.’
Eu senti como um peso que me caía em cima: ‘Como
é possível que eu agora vá a representá-lo?’
Na realidade, me sentia demasiado pequeno para tal função,
porém era o Maestre que me ordenava e eu tinha que
cumprir.
Assim, tomei a palavra e falei de muitas coisas, recordo que
falei sobre a Cruz de Aquarius, etc., e senti que era ele
quem falava pela minha boca, senti que, na realidade tinha
o poder para faze-lo, porém quando mais senti que inha
esse poder, foi quando ele resolveu que eu me calasse. Chegou
um momento em que senti que foi-se de mim a corrente e tive
que dizer: ‘Senhores, terminei...’” (6,402)
É um período que seus discípulos diretos
recordarão com grande intensidade, já que têm
a oportunidade d conviver com seu Maestre na relação
tradicional entre o Guru e seus discípulos:
“Recordo-me de que uma vez, viajando, chegamos a um
ponto chamado A Encruzilhada; eram 3 horas da tarde e esperando
ali o ônibus que nos conduziria 2(TM) feira à tarde
de Maracay a Caracas, se aproxima uma senhora e lhe diz:
‘– Senhor, tenho minha filha grave, me acabam
de trazê-la do hospital.’ (estava em uma camioneta)
‘Quero que a veja, Senhor.
Me disse ele:
’– Siga-me, Estrada.’
Segui-lhe, e quando chegamos ao quartinho, porque era um quartinho
de um rancho, me disse em voz baixa na porta:
’– É tifóide, Estrada.’
Entrou, viu-a, estava magrinha a menina, lhe deu um passe
magnético e me disse:
’– Pronto, Estrada, vamo-nos.’
Eu vi que a menina ficou como estava quando entramos, fomos
esperar o ônibus que tardava sempre muito para passar
por aí... Momentos depois, nos encontrávamos
de novo na estrada, esperando o ônibus, quando logo
chega apressado o pai da menina e com toda reverência
e alegria, diz:
’– Obrigado, Senhor, pela cura de minha filha,
levantou-se perfeitamente bem, não tenho com que pagar-lhe
a saúde de minha filha.’
O Maestre, algo sorridente lhe disse:
’– ´É prazer para mim, irmão,
sua alegria.’” (6,403/586)
O Mestre Mejías nos narra sua experiência na
vida cotidiana junto ao Maestre:
“É necessário viver a portas fechadas
com o Maestre para conhecer o que representa ele. Nas pequenas,
íntimas incidências da vida diária, obtemos,
usualmente, reveladores vislumbres do caráter de um
homem: poderia escrever volumes contendo tais detalhes íntimos
da vida do Maestre; todos mostram a autêntica grandeza
do homem, sob todas as circunstâncias. Há muitos
instrutores cujos ensinamentos não coincidem com suas
práticas: o Maestre vive de acordo a sua teoria sem
desviar-se dela nem um instante...” (16,34)
“Nunca esquecerei o Maestre como o vi ali, em sua humilde
cabana coberta com palha, cujo único móvel era
um tosco banco, duas caixas de embalagem e um primitivo altar...”
(7,71)
A tarefa que os dois Maestres, de la Ferrière e Estrada
assumiram, a partir de um retorno às fontes e princípios
das tradições Iniciáticas, consiste em
construir um novo modelo de vida, um paradigma diferente,
que responda às necessidades da Humanidade nos novos
tempos. No Oriente, este modelo tem sido representado periódica
e historicamente, recordado através de uma linguagem
religiosa na figura de um guia iluminador, que se conhece
com o nome de Avatar; o Maestre Estrada nos relata:
“Em 1948, na casa de Mileo, antes de sentarmos à
mesa um domingo às 2 da tarde, (o Maestre) desenhou
um zodíaco no quadro negro, e na constelação
de Aquarius pôs a palavra AVATAR (com todas as maiúsculas)
e na de Leão pôs Avatar, com a primeira maiúscula!
Eu me encontrava atrás dele e já para chamar-nos
a comer se voltou para mim e disse (com os olhos fixos em
mim): ‘Uhú... que lhe parece?’, eu lhe
respondi: ‘Está bem’, e em seguida nos
levaram à mesa...” (6,105)
Durante sua estância no Ashram, o Maestre termina sua
terceira Mensagem: “Os Mistérios Revelados”:
“OUSAR é a mensagem número III, que dá
a LUZ sobre os pontos ocultos, estão aqui as claves
mais importantes que nunca foram dadas ao público...
É uma chamada aos que sabem!... De cuja leitura deveriam
sair os instrutores... O mistério está revelado!...”
(59,31)
“Somente há que estabelecer uma diferença
entre os Centros Esotéricos e os Colégios Iniciáticos.
Os primeiros são reuniões de Iniciados, enquanto
que os outros são grupos de estudantes da Iniciação
(...) A Escola Iniciática é um lugar de disciplina;
não entra todo o que quer; há um ensinamento
preparatório, e exames que passar antes de abordar
o menor grau (...) Contudo, enquanto que esses Centros existem
permanentemente, as escolas não se fundam mais que
de tempo em tempo, ao largo da História. Por quê?
A razão é muito simples: é nesses Centros
Esotéricos onde se conserva toda a Tradição
Iniciática...” (16,173/174)
“O Colégio Iniciático ensina as diferentes
tradições, menciona as distintas escolas, as
variadas filosofias, não pertence a nenhum dogma e
está por em cima de todas as religiões e de
todas as doutrinas.” (16,183)
No mesmo período elabora seu texto: Posições
planetárias 1900-1950, cuja segunda edição
aumentada e corrigida elabora na Argélia no ano de
1953 com o título: Documentação Astrológica:
“...a Astrologia é, sem dúvida, uma das
ciências mais antigas, porque tão logo o homem
começou a pensar, deveu simplesmente mirar ao céu
e onde, por uma natureza objetiva, analisou as estrelas, ou
por uma natureza mística preparou-se a orar, com seu
olhar voltado para o alto, deveu captar o movimento da grande
abóbada. De uma maneira ou de outra, esta contemplação
na base das meditações primitivas foi certamente
o nascimento das ciências.” (13,149)
No Natal de 1949, o Maestre faz um reconhecimento especial
a Ismael Pacheco, o primeiro de seus discípulos a ir
ao Ashram morar com ele:
(fala o Maestre Estrada) “Foi o primeiro a chegar no
Ashram a compartilhar a vida com o Maestre, pelo que o Maestre
o elogiou muito na noite de 24 de dezembro de ’48 (...)
Lembro-me de que (...) me disse em Caracas: ‘Prepare
comida para 24 ou 25 pessoas’. Ele ia se reunir essa
noite próximo de Maracay, no Ashram de El Limón.
Quase não havia luz, pois era um povoado retirado da
cidade, e naqueles tempos havia certas limitações.
Ele fez sua cerimônia às 12 da noite e depois
foi à mesa e nos sentamos todos. Um discípulo
não coube na mesa, na realidade, não havia assento,
então se sentou no solo.
Na porta, o Maestre (então lhe chamávamos Mestre)
havia preparado o pão sem nos darmos conta, e logo
apresenta a cesta de pão rabanado e começa a
reparti-lo, eu estava perto e observei tudo: deu seu primeiro
pedaço de pão a sua esposa, depois o deu a mim,
logo a outro, porém havia um a quem eu cria que deveria
tocar-lhe, pois imediatamente captei que os estava catalogando
a todos ao repartir o pão. Porém, não
o dava àquele homem, passava sobre ele e dava a outro
e a outro, até que, ao passar do tempo, deu-o a esse
a quem eu acreditava que deveria ser o próximo o último
pedaço de pão (...) se dirigiu a Pacheco com
seu último pedaço de pão com estas palavras:
‘Dou meu último pedaço de pão a
esse meu primeiro discípulo que veio conviver com o
Mestre (...) queira Deus que todos sigam o exemplo deste Discípulo.’
Mais tarde, o Maestre nomeou-o ‘o Ancião do Ashram’,
ainda que aparentava ter somente trinta anos de idade.”
(6,120/404)
Em Venezuela, o Maestre cumpre 33 anos de idade no Ashram
de El Limón, e outorga os primeiros graus Iniciáticos
de GETULS a seus discípulos José Manuel Estrada,
Juán Victor Mejías e Ismael Pacheco, a 1? de
maio de 1949.
Segundo
uma tradição milenar, onde os Iniciados
passam por um processo de “morte e renascimento”,
onde termina e se dá início a uma nova etapa
na vida do indivíduo, o Maestre foi batizado simbolicamente
pelo Maestre José Manuel Estrada, em cerimônia
especial:
“...Cerimônia que encerrou uma grande transcendência
INICIÁTICA (se repetiu a história atribuída
a João Batista, o Mui Venerável do Colégio
dos Essênios, que anunciou a Cristo e depois o batizou?).
Fui assessorado naquele ato pelo hoje Guru Juan Victor Mejías,
Guardião do Templo de Caracas. Foi a 1? de maio, dia
das altas Iniciações , durante a Cerimônia
Cósmica celebrada pelo Maestre no Ashram às
10 da manhã, no pátio do antigo terreno, hoje
residência de sua esposa. Recordo-me de que a Cerimônia
teve lugar ao ar livre, sob um céu limpo com um sol
tropical e como diria o Maestre: ‘entre a jungle’
(...) Devo aclarar que aquela espécie de batismo não
se fez com água, foi uma cerimônia de imposição
de mãos. Seria, aquele ato, uma Iniciação
transmitida das mãos do H.:M.: com seus 48 anos ao
Maestre com seus 33 anos. Mistérios do Grande Sendeiro!”
(6,80/123)
“...é curioso que à maneira do cumprimento
de uma tradição, (...) o primeiro Colégio
Iniciático da Nova Era (...) foi fundado próximo
ao Maestre cumprir 33 anos de idade, com o duplo significado
de que ao mesmo ano me tocou a honra de batizá-lo...”
(6,79)
A 25 de maio de 1949, o Maestre envia ao Congresso Internacional
das Forças do Espírito, em Paris, uma Mensagem
especial:
“Se perdem na noite dos tempos a formação
de uma Fraternidade que quis ensaiar elevar o Ser Humano por
em cima da condição humana habitual (...) A
Franc-maçonaria é uma instituição
filantrópica, filosófica e progressiva que tem
por objeto o exercício da beneficência, o estudo
da Moral Universal, a análise das ciências e
a prática de todas as virtudes, porém ela foi,
amiúde, mal servida por membros egoístas que
discutiam seus interesses pessoais e criaram assim divisões
(...)”
“O grande público geralmente sente certa dificuldade
quando se trata de esoterismo, de ocultismo ou de iniciação,
e por Maçonaria vislumbra imediatamente uma espécie
de Magia inqualificável, porque o povo, cego pelo fanatismo,
involucra imediatamente associação secreta com
Maçonaria, e esta, para muita gente, não é
mais nem menos que a fonte de crimes odiosos e práticas
de infame bruxaria (...) Já é tempo que isso
mude em nosso século de intelectualidade, longe de
certas épocas que prefiro não recordar...”
(17,17/18)
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