III. América: o encontro com seu primeiro Discípulo

Agora tomo a responsabilidade pessoal, não de retificar a Tradição, mas de contribuir com uma nota pessoal, com um ponto de vista que é meu, em um conjunto de idéias que me foram apresentadas no curso de minha evolução.

O 12 de novembro de 1947 é a data que o Maestre considera como a do início do movimento da Grande Fraternidade Universal e do princípio de sua Missão Pública, já que adota o voto de nazareno, que consiste em adotar uma série de regras de vida que lhe permitam enfocar toda sua atenção e dedicação às práticas mais elevadas do yoga e da espiritualidade. Este voto implica, entre outras coisas, abster-se de tocar dinheiro e manter relações sexuais, canalizando assim toda sua energia na realização de uma peregrinagem externa e interna, conseguindo assim um contato profundo consigo mesmo e com os discípulos.

Neste dia viaja acompanhado de sua companheira ruma a Nova York, partindo do porto de Lê Havre no navio Oregon, para trasladar-se posteriormente a Guatemala, como escala de sua viagem à Venezuela.

O Maestre desembarca em Nova York a 22 de novembro de 1947 e aí realiza diversas conferências no Carnegie Hall em Manhattan, na Igreja Metodista em Brooklyn, assim como em diversas lojas maçônicas:

“O Maestre estava ainda vestido metade branco , metade azul (um “tau” azul sobre a camisa), quando desembarcou sobre o continente americano (Nova York). Na América Latina trocou sua vestimenta em totalidade de branco para iniciar a 18 de Janeiro de 1948 a fundação oficial da sede central da G.F.U. na Venezuela e estar pronto com seus primeiros missioneiros a 21 de março de 1948...” (56,34)

Dias mais tarde, se traslada via aérea a Guatemala, aonde chega a 2 de dezembro de 1947, aí se hospedando com familiares de sua companheira. Na Universidade de São Carlos, da cidade de Guatemala, dita uma conferência sobre Astrologia em 4 de janeiro de 1948.

O Maestre viaja à América com uma idéia muito precisa do papel que este continente – e particularmente a América Latina – desempenhará na Nova Era. Ele afirmará que ao largo das cordilheiras do continente, uma transformação cultural vai se desenvolver, nos próximos anos:

“A teoria de que a América deve seu nome a um dos primeiros navegantes que desembarcaram no continente, isto é, Américo Vespúcio, não é tão acertada porque, em realidade, deveria tratar-se de Alberic!. Quando Alonso de Ojeda passou pela América Central em 1499, os indígenas da Costa de Cumara denominavam já o continente de Amérriqua, que quer dizer em língua maia: o país dos ventos.” (60,189)

”A América do Sul está destinada ao mais brilhante porvir, é a eterna repetição da história; ela vai acolher a elite de todas as partes do mundo e será a fonte de um esplendor e de uma renovação cultural; por outra parte , devido ao eletromagnetismo do globo (que muda coincidindo com a época aquariana a partir de 1948) o centro espiritual do mundo se estabelece pouco a pouco na cordilheira dos Andes, no mesmo lugar onde há milhares de anos atrás o Santuário supremo resguardava os Grandes Mestres.” (60,190)

O Maestre chega a Venezuela por via aérea, no aeroporto de Maiquetia, Caracas, um sábado chuvoso, a 17 de janeiro de 1948, portando um passaporte diplomático. É recebido por um casal de discípulos franceses, que se haviam dirigido a Venezuela por outra via, em um barco italiano, desde a França, para preparar sua chegada.

No mesmo aeroporto, o Maestre é abordado pela imprensa local, convocada pelos discípulos do Maestre; o periódico “O Nacional” de Caracas publica uma entrevista com o Maestre:
“O Dr. de la Ferrière, presidente-fundador da Associação Mundial de Cosmobiologia e presidente da Federação Internacional de Sociedades Científicas chegou de avião desde Guatemala, depois de haver dado conferências n o Carnegie Hall de Nova York e de recrutar adeptos para seu movimento.”

“– Qual é esse movimento?”

Raynaud de la Ferrière se recolheu em sua capa branca, escondendo umas bombachas da mesma cor.

”– Não é uma nova religião. Em suma poderia considerar-se como um novo cristianismo. Trato de expor a idade nova que se deve instaurar para preparar o ciclo de 2000 anos que nos espera.
É sobretudo um regresso à religião, à explicação do dogma. Você me compreende?”

”– Um pouco...”

Por meio dessas primeiras entrevistas periodísticas, no dia seguinte, domingo, 18 de janeiro de 1948, aquele que se converteria em seu primeiro discípulo toma conhecimento de sua chegada ao ler a nota periodística que fizeram sobre o Maestre no diário “El Sol”:

“No domingo próximo, a 18 de janeiro, data memorável para aqueles que sintam muito internamente o simbolismo universal, às 10 da manhã, em uma humilde casa situada na avenida que conduz ao manicômio, já para começar os trabalhos dominicais que junto a um grupo de estudantes de esoterismo verificava com exata periodicidade, ao sair ao pátio para tomar um copo d’água, se aproxima de mim minha comadre Eva, com um exemplar do “El Sol”, correspondente ao dia, dizendo-me: ‘Tome, compadre, “O Sol”, que traz a notícia de um astrólogo francês que chegou a Caracas há pouco, para você que gosta das coisas de Astrologia, eu o comprei.’

Agradecendo-lhe e em seguida lendo a manchete da informação e vendo a foto de um homem, muito mal tomada, decerto, disse a minha comadre: ‘Este não é um simples astrólogo, este é o homem que espero há muitos anos e que, para ele, nos reunimos todos os domingos neste lugar (...)’ Correu à sessão de estudos no grupo, como sempre, com uma novidade: se aprovou ir a conhecer o ‘Astrólogo’; para alguns, foi esta notícia objeto de burla, e para outros causa de respeito ao então ‘irmão Estrada’...”

O local onde se reunia semanalmente o Maestre Estrada com seus discípulos era de sua propriedade, e a utilizava para suas reuniões e como habitação de uns parentes. Posteriormente, esta propriedade seria doada pelo Maestre Estrada à Grande Fraternidade Universal, para edificar a sede central do movimento. O Maestre de la Ferrière aceitou essa doação para a G.F.U. tanto pelo seu aspecto prático, como por ser o lugar onde ele era esperado fazia dez anos e onde, pela primeira vez, foi reconhecido como Maestre.

A importância do encontro entre os Maestres é fundamental para entender a G.F.U., já que o Maestre Estrada ocupa um lugar de primeira ordem na construção dessa Instituição.

Desde sua primeira infância, ele mostra um caráter inato que lhe facilitou uma formação auto-didática, e um interesse e predisposição natural para o exercício de um pensamento profundo e inspirador. Ele nos relata algo de sua história na seguinte passagem:

“Fazendo algo de história, direi: quando tinha 6 anos de idade, comecei a estudar a Lua e demais estrelas sem Mestres. Quando tinha 10, pude predizer que o mundo não se acabaria com a passagem do cometa Halley, ainda que Camille Flamarion, o eminente astrônomo francês, não garantia a vida na terra.

No ano de 1925, o Maestre (de la Ferrière) tinha 9 anos de idade, e ainda não pensava em seu destino crístico, quando se apresentou a mim em Chacaito, lugar fora de Caracas, um ancião de cabelos e barbas longas, de baixa estatura, e me entregou um livro para que o lesse sem anotar nada, onde se encerrava uma grande sabedoria em claves (antes de que o Maestre começasse sua missão, se apresentou a ele, em França, na mesma forma, um ancião e lhe entregou um livro. Quando o quis devolver, o ancião não existia, nem ninguém o havia conhecido no Hotel onde o Maestre o havia visto. Foi ele que o iluminou e disse: ‘Tens que cumprir uma missão’).
Disse-me que me entregaria um grande tesouro que não se me acabaria nunca. Chegou um momento em que desapareceu em forma misteriosa...” (6,301)

O Maestre Estrada nos descreveu a experiência que lhe deu a segurança de sua missão e a certeza de que tinha que esperar seu Maestre no ano 33, ano em que, depois de um conflito afetivo que durou 13 anos, recebeu a iluminação, em uma manhã, ao despertar. Dias depois desse acontecimento, um sábado à noite, o Maestre Estrada experimentou uma visão na que viu a figura do Maestre:

“Foram momentos de verdadeira aflição em que o vi e começou sua conversa comigo com esta frase: ‘Tens uma missão a cumprir’ (...) Nela me revelou todo meu futuro, deixando-me atônito, sem poder dormir.0

O Maestre tinha, então, 17 anos. Desde aquele momento, começou mudar minha vida, comecei a meditar seriamente sobre minha missão. Aos 38 anos (1938) resolvi preparar-lhe o grupo (...) e comecei a anunciá-lo entre minhas amizades e, naturalmente, me tratavam de louco. Lentamente, fui agrupando homens e mulheres, que encontra vam em meu grupo uma profunda paz e um grande respeito entre eles.” (6,302)

A 19 de janeiro de 1948, o Maestre de la Ferrière concede uma nova entrevista, desta vez ao periódico “El Heraldo”, a qual aparece em sua edição vespertina do dia seguinte, onde declara:
“Fazem 32 anos que nasci em Paris, desde os dezessete que me dediquei por completo a estudar astrologia, magnetismo, etnografia, etc.”

O repórter do diário, ao entrevistar o Maestre, lhe faz perguntas com a intenção de receber predições do tipo astrológico, particularmente de caráter político, das quais o Maestre responde àquelas de caráter internacional cuidando de não se referir a temas locais, já que desconhece com exatidão as restrições à liberdade de imprensa da Venezuela:

“Depois da Guerra Mundial de 1963, os Estados Unidos sairão triunfantes desta contenda. O comunismo está destinado a desaparecer violentamente. Na URSS, imperará a teocracia. Será uma nova idade no mundo científico.”

Ao dia seguinte a esta entrevista, em 20 de janeiro de 1948, às 20:30 horas no Hotel Royal, na Paróquia “La Pastora” onde se hospedava, o Maestre recebe uma delegação da Igreja Católica Liberal, que era dirigida pelo Maestre Estrada.

Segundo nos informa Arturo Alvarez, a Igreja Católica Liberal teve suas origens na Igreja Jansenista, chamada assim pelo obispo Cornelius Jansen (1585-1638), teólogo holandês cujo pensamento está plasmado em seu livro “Augustinus”. Depois se chamou Antiga Igreja Católica, dirigida por Asnold Harris Mathews, na Inglaterra.

Desde princípios do século se ordenaram sacerdotes muitos ex-ministros Anglicanos e Teósofos. Desde 1918, mudou seu nome para Igreja Católica Liberal, separando-se da Igreja de Roma. Esta Instituição era dirigida totalmente por teósofos, e tinha entre seus objetivos a difusão dos ensinamentos teosóficos e preparar a vinda do Grande Instrutor.

O Maestre Estrada narrou com detalhe este primeiro encontro com seu Maestre:

“...ao entrar no hotel, nos recebe um francês alto, magro, com a testa tão pequena que o cabelo parecia que lhe caía sobre as sobrancelhas. Todos críamos que tínhamos à frente o famoso astrólogo, contudo eu pressenti rapidamente antes que nos dirigisse a palavra que aquele não era o homem que eu esperava e abrigava a esperança de que algo ocorreria que me desse a razão. Efetivamente, aquele magro francês nos pergunta em péssimo espanhol: ‘Vêm conhecer o Mestre?’ Nossa resposta foi afirmativa, ele nos responde: ‘Por favor, esperem, já vem.’

Momentos depois, aparece, ao abrir-se a porta do fundo, a figura de um HOMEM em toda a extensão do vocábulo. Era alto, perfeitamente reto, modos varonis porém distintos, elegante, se cabe a palavra. O rosto indescritível, se lia naqueles olhos pardo-claros todo o amor e a sabedoria dos séculos, o semblante nazareno, de tez amarela como a cera, sorriu por um momento ao levar a mão esquerda ao plexo solar e com um que de alegria e tristeza nos lábios, estendendo-nos a mão direita nos deixou ouvir sua voz suave, oferecendo-nos estes dois vocábulos: ‘La Ferrière...!’, dizendo esta frase, apertou nossas mãos com firmeza e para mim começou uma nova vida.” (6,588)

“Depois de falar algum tempo com um de meus discípulos em inglês, durante o qual nós não perdíamos um detalhe de suas mãos, pele, barba crística ruiva, um tanto acanalada próximo às orelhas; o cabelo comprido da cor da barba, os pés calçando sandálias. Usava camisa e calça brancas de linho, demonstrava ser portador de uma profunda sabedoria.

Ao terminar de falar com nosso discípulo, a quem chamávamos ‘Sonamir, o semeador’, se voltou para mim e me disse: ‘Você, o que me diz?’ Respondi-lhe: ‘Há dez anos que lhe estou esperando em companhia de um grupo formado para o senhor, ignorava de onde havia de vir, porém estava seguro, Maestro, de que nos encontraríamos; estava seguro de que o senhor viria; tenho um grupo, pois, que está sua disposição’.

Ele me perguntou: ‘Como você se chama e que dia nasceu?’ Eu o satisfiz em suas perguntas e pedindo a sua esposa um aparato que usava para determinar a posição dos planetas em determinada data, me disse: ‘É com você que me interessa ter contato em Venezuela (...), os demais são secundários’” (6,190/588)

O aparato que utilizou o Maestre para determinar a posição dos planetas, as casas e o ascendente de seu primeiro discípulo é uma régua de cálculo que se chama domígrafo, que é um nomograma, que permite obter em forma gráfica as cúspides das casas. O Maestre, cuja primeira profissão é a de engenheiro de minas, deveu ter contato direto com o construtor dessa régua de cálculo, chamado Niclot.

Neste encontro, tem início a relação entre o Maestre e seu primeiro discípulo, que juntos construiriam a Grande Fraternidade Universal, um trazendo o en sinamento básico e a mensagem de renovação cultural, o outro nos feitos concretos atuando publicamente na sociedade contemporânea, através de 34 anos e seis meses de trabalho ininterrupto, a partir desse contato com seu Maestre.

“Três dias depois daquela reunião, onde me presenteou com uma foto sua tendo por dedicatória passagens bíblicas, se realizou uma reunião, esta de maçons, rosacruzes e teósofos, que se juntaram para fazer-lhe perguntas e tratar de calá-lo (...) Não obstante, naquela reunião onde também haviam discípulos meus, se colocou o problema de tira-lo daquele hotel por não haver possibilidades de mantê-lo ali.

Assim, decidiu-se pela sua saída para a casa de um irmão de meu grupo que vivia em El Limón, perto do que hoje é o Ashram. Ali se desenvolveu sua missão em forma muito humilde porém sem faltar-lhe o indispensável, já que os irmão se comprometeram a ajudar-lhe de acordo a suas possibilidades, ainda que aqueles tempos eram muito difíceis...” (6,81)

Esse discípulo do Maestre Estrada que ofereceu ao Maestre sua casa era “o irmão Sonamir”, e ele é lembrado de maneira especial por este gesto de hospedar o Maestre nos inícios da G.F.U. e por ser o autor de uma oração que depois foi adotada pelos discípulos do Maestre denominada “Oração Universal”


O Maestre parte dia 31 de janeiro ao povoado de chamado El Limón, a sete quilômetros de Maracay, estado de Aragua, onde funda o primeiro Ashram da G.F.U.; neste lugar, prepararia seus três discípulos mais avançados, e que posteriormente ele mesmo reconheceria e instruiria como Gurus (Mestres): José Manuel Estrada, Juan Victor Mejías e Alfonso Gil Comenares, este último tendo se encontrado com o Maestre um ano mais tarde, em 1949.

Ashram é o nome sânscrito que é utilizado na Índia para designar o lugar de retiro de um Mestre espiritual, de um Guru, o lugar onde as pessoas se esforçam para a realização espiritual. O Maestre de la Ferrière continua utilizando esse nome para ser preservado na Grande Fraternidade Universal e significando assim a relação tradicional entre um Mestre espiritual e seus discípulos.

Estes Ashrams, na história da espiritualidade oriental, constituíam-se desde de uma pequena choça onde vive o Guru rodeado de seus Chellahs , em algum vale ou montanha, até modernas instalações que contam com dormitórios, restaurantes, salas de estudo, templos para a meditação ou a oração, zonas recreativas e de acampamento, auditórios, bibliotecas, entre outras coisas.

Este primeiro Ashram de El Limón se estabeleceu de maneira muito sóbria e simples, contando apenas com um par de cabanas de campo, com piso de terra. Aí, o Maestre cumpriu uma vida cotidiana inspirada, realizando suas disciplinas de yoga, os ensinamentos aos discípulos e sua atividade como escritor.

Acompanharam-no dias depois de sua chegada ao Ashram seus discípulos Juan Victor Mejías e Ismael Pacheco, os próprios que, junto ao Maestre Estrada, foram os primeiros membros da Grande Fraternidade Universal, a quem o Maestre outorgou um reconhecimento por seu desenvolvimento pessoal, conferindo-lhes o primeiro grau Iniciático.

O Maestre Estrada recordou em um de seus comunicados como era a vida diária do Maestre de la Ferrière nesse primeiro Ashram:

“Nosso Maestre, ao chegar a Venezuela, organizou a hora das atividades espirituais na seguinte forma: 6 da manhã, cultura física; 7 da manhã, Cerimonial Cósmico; 12 da manhã, Yoga; 7 da noite, meditação...” (6,201)

“Aquele HOMEM, no social, era todo um cavalheiro, era excepcional sua figura, de alta estatura, perfeitamente ereto, de tez de cera, um homem de cabelo ruivo não muito comprido, a barba algo espessa, porém amarela e com um pouco de tom de canela nas costeletas. Tinha um olhar verdadeiramente imponente sem ser dura, doce ao mesmo tempo em que fortemente expressiva. Possuía um magnetismo tal em seu rosto, um feitiço para aqueles que dele se aproximavam, que era muito rara uma pessoa que falasse diretamente com ele, em forma séria, que não ficasse gravado seu rosto em sua imaginação.”

“Lembro-me de seus discípulos todos chegamos a dizer isso: ‘Que será que tem o Maestre que não me sai da mente?’ Todos dizíamos o mesmo, até que um dia, no Colégio Iniciático, perguntamos a ele: ‘Mestre, por que ocorre isso de termos sempre sua imagem estampada aqui na frente?’ Ele respondeu: ‘Se isso não fosse assim, vocês não seriam discípulos e eu não seria um Mestre.’”

“Me lembro de que a respeito de meu (...) Maestre, em El Limón, um dia, às 12 da manhã, me encontrou quando estava semeando uma muda de manga; sorriu e eu lhe disse: ‘Eu a estou plantando para ver se em minha próxima reencarnação como mangas dessa muda’; ele me respondeu com os olhos fulgurantes:

‘– Você pensa voltar?’
A mim, me deu vergonha e lhe disse:
’– Bom, Mestre.’
Voltou a me dizer:
’– Então, pensa voltar?’
Por medo, lhe disse:
’– Não.’
Me disse:
’Porque eu vim para vocês se salvem, Estrada.’
Respondi-lhe:
’– Está bem, Mestre, aqui não aconteceu nada...’” (6,407)

Anos depois, o Maestre Estrada, frente às deformações religiosas dogmáticas da obra do Maestre de la Ferrière, em que se chegava inclusive a proibir que se falasse nas instalações da Instituição ou durante as refeições, recorda a vida de seu Maestre no Ashram de El Limón:

“Os que estivemos com ele devemos recordar que nunca no Ashram se usou esse sistema. Ele... era um homem perfeitamente normal, equilibrado, se não o houvesse sido, não teria dito essas palavras:

‘– Quanto Estrada está no Ashram, o Ashram está em festa.’

Não se referia a uma festa religiosa, já que ele... não era uma pessoa religiosa, que vivia metida no templo, só entrava nele na hora da cerimônia e para a meditação.
Referia-se a que Estrada tinha um caráter alegre, sem maneirismos, natural, sincero. No Ashram de El Limón, nos tempos do Maestre, certos discípulos, quando o Maestre lhes repreendia, costumavam entrar em jejum forte para purificarem-se; em uma ocasião, que correspondia ao turno do então Victor Mejías, perguntei ao Mestre:

‘– Por que jejuam?’
Me respondeu:
’– Não é minha culpa, Estrada. Assim são eles.’

E se voltou, como se tratasse de se conformar.” (6,222)

O Maestre Estrada nos mostrou uma dimensão espiritual de seu Maestre com um definido enfoque humano, cotidiano, sem venerações religiosas ao personagem:

“...nosso Maestre se apresentou ao mundo como um homem entre os homens, tão humano que, na realidade, fora daquela presença, daquele magnetismo, era um homem que atuava como os demais homens, porém não como um homem simplesmente vulgar, senão como um homem decente, digno de todo o apreço.

Recordo que na mesa , na hora de comer, dizia: ‘Não se deixa comida no prato, faça-se isso por aqueles que neste momento nada têm que comer’, e ele era o primeiro a cumprir suas ordens, limpava seu prato depois de terminar com um pedaço de pão. Era um homem que comia com dois comensais ao lado, um era um cachorro que se chamava Quinconcio, à sua direita, e o outro era uma gata cujo nome não me lembro; à gata, dava queijo e ao cachorro, leite.”

“As pessoas que conviveram com o Maestre nesta época afirmam que ele vivia de uma maneira por demais simples, em contato direto tanto com seus discípulos como com seus visitantes, comia com todos, e dedicava parte de seu tempo ademais das disciplinas por ele adotadas, a escrever seus textos, a dar ensinamentos a seus discípulos e atender aos assistentes em consultas pessoais.”

Neste período, terminou sua segunda mensagem: “Os Centros Iniciáticos”, que havia iniciado na América Central: ‘QUERER é o símbolo da mensagem número II, onde se vê a necessidade iniciática, e sua explicação com uma vista elementar de nosso trabalho.’” (59,31)
“Aquarius é a Nova Idade cujo advenimento origina este período de transição em que vivemos atualmente. A decadência da civilização materialista demonstra, sem sombra de dúvidas, o monstruoso erro em que incorrem aqueles para quem a religião e o espírito religioso era, em geral, o ‘ópio dos povos’...” (16,81)

Nesta segunda mensagem, o Maestre nos indica um novo paradigma para o estudo das ciências até então conhecidas como ocultistas, para chegar ao estudo de uma nova visão dessas ciências transcendentais:

“Os tempos do ensinamento subterrâneo passou, cheio de mistérios inexplicados, onde a luz era cuidadosamente filtrada, onde toda instrução toma um aspecto de ocultismo malsão.” (16,86)

“A Nova Era (Aquarius) traz a dissolução das cristalizações convertidas freqüentemente em dogmáticas, fanáticas e intolerantes. Agora se cumprem depois de tantas outras, as grandes profecias relativas à Era de Aquarius,caracterizada pelo esclarecimento e a explicação de mistérios até agora ensinados de uma maneira velada e simbólica: UMA CONCILIAÇÃO ENTRE O ESPÍRITO E A LETRA, por uma instrução indutiva e dedutiva, por um espírito de síntese sucedendo ao de análise, por um equilíbrio conciliando as vias intuitivas, imaginativas e sensitivas, e as vias de raciocínio, dedução e positivismo científico e matemático.” (16,87)

Com este novo enfoque no ensinamento, o Maestre assinala o final do mecanismo que durante tantos anos prevaleceu nas ciências, e destaca a necessidade da presença do Instrutor, do Maestre que viven ciou, ele próprio, o ensinamento, e pode traduzi-la aos discípulos, evitando que o essencial se converta em mero ritual sem conteúdo, ou dogma sem transcendência:

“Se mediante as doutrinas secretas entramos no domínio esotérico, apesar de todas as grandes teorias, tropeçamos com o ceticismo da horrenda congregação de mecano-materialistas...

Apesar dos escritos que puderam perpetuar-se através dos séculos, unicamente o ensinamento verbal ficou como o verdadeiro veículo de instrução, e os ‘pergaminhos’, as ‘claves’ não são mais que referências para a vida Iniciática. Em todas as seitas, ademais de seu ritos ou de seus manuais de dogmas que contém quadros, selos, fórmulas, que representam unicamente concordâncias, procedem os Mestres à Iniciação de seus adeptos.” (16,133/134)

Ao dia 21 de março de 1948, o Maestre realiza uma Cerimônia especial para dar início formal a este novo período histórico que ele veio assinalando, e que ele chamou: a Era de Aquarius.

A esse respeito, motivado pela demanda dos membros da G.F.U. e pelas posições de alguns estudantes de astrologia que tratam de fundamentar suas teorias com princípios das ciências empíricas, confundindo os princípios da astronomia com o simbolismo astrológico, realiza em uma de suas cartas circulares uma exposição a que denomina: Como calculam os Aquarianos a posição do Universo na era de Aquarius, que em seus aspectos essenciais, resumo a seguir:

“São muitos os que parecem esquecer duas coisas primordiais (...) É verdade que o fenômeno da precessão equinocial TOTAL requer 25.920 anos, por outro lado, não é completamente exato que cada ‘Era’ seja um lapso de tempo igual a 2.160 anos (...) Não é de nenhuma maneira seguro que estejamos em 1958 ou 1959 (já que nosso calendário foi ‘cortado’ em várias ocasiões) e, ademais, não se sabe exatamente o momento a partir do qual os cristãos começaram a contar o tempo, já que tudo foi organizado vários anos depois da morte de Cristo Jesus (...)

“O Zodíaco é uma ronda SIMBÓLICA de 12 signos, cada um com 30 graus simbólicos; enquanto a eclíptica (não confundi-la com o equador celeste) é uma linha que passa dentro das constelações principais, as quais, de nenhuma maneira, são iguais entre si.”

“Assim, temos a Astrologia tradicional, que considera que o Sol recorre (...) sempre segundo a ‘simbologia’ a razão de mais ou menos um grau por dia. Enquanto a Astronomia, ela se ocupa preferentemente do estudo das constelações (e não dos signos zodiacais). Assim, no que concerne à precessão dos equinócios (movimento aparente do sol que recorre em sentido inverso o Zodíaco – a eclíptica – à razão de um grau a cada 72 anos), devemos saber que cada constelação não tem 30 graus exatamente cada uma, e que assim as Eras duram algumas delas mais, outras menos de 2.160 anos (...)”

“Por exemplo, se tomamos em conta CIENTIFICAMENTE, as posições exatas (segundo a precessão dos equinócios – ou seja, um grau a cada 72 anos), devemos corrigir que Áries não se situa entre 21 de março a 20 de abril; Touro não está compreendido entre 21 de abril e 21 de maio, etc... senão que há que mudar essas datas e estabelecer assim: Áries, 17 de abril; Touro, 14 de maio; Gêmeos, 20 de junho; Câncer, 19 de julho; Leão, 9 de agosto, Virgem, 15 de setembro; Libra, 29 de outubro, Escorpião, 23 de novembro; Ofiucus, 28 de novembro; Sagitário, 17 de dezembro; Capricórnio, 18 de janeiro; Aquário, 14 de fevereiro; Peixes, 21 de março (...) Tiramos, em seguida uma lição, que é a de que assim se pode verificar que as constelações têm tamanhos irregulares entre si (Áries, 27 graus; Touro, 37 graus; Gêmeos, 29 graus, etc.) (...)”

“A Era de Touro foi maior que a Era de Gêmeos, a era de Áries, mais curta que as precedentes. Assim, se pode verificar de imediato que a Era Pisciana no foi de 2.160 anos, já que não tem 30 graus, senão 27 graus somente. A Era de Aquarius (ou “Acuarius”, como dizer vocês, não empregando o termo ortográfico latino, com um ‘q’, mas com um ‘c’) durará muito mais tempo, já que esse signo se estende a 35 graus sobre a aclítica (...)”

“Concretamente, não há nenhuma certeza sobre a data (ano) de nascimento do Grande nazareno, nenhum fato histórico pode comprovar sua vinda (...) A constelação simbolizando a Idade Cristã (Peixes) tem exatamente 27 graus e 6 minutos, o que multiplicado por 72 ( ou seja, o lapso de tempo necessário para que o sol faça sua trajetória aparente sobre a eclíptica de um grau) nos dá um total de anos equivalente a: 1948,32, ou seja, o ano de 1948 (27,06 por 72 = 1948,32), ou seja o ano de 1948, com uma fração equivalente a uns 3 meses.

Assim se estabelece muito bem: ‘simbolicamente’ o começo da Era de Aquarius, que é o dia em que o sol em seu movimento aparente entrou no signo de Áries, ao mesmo tempo em que o ponto vernal se encontra no primeiro grau da constelação de Aquarius, ou seja, a 21 de março de 1948.” (57,90/92)

A estadia do Maestre na Venezuela vai de 17 de janeiro de 1948 a 2 de junho de 1949 (503 dias), onde prepara principalmente seus três discípulos diretos; o Maestre, neste período, está dedicado ademais das práticas ashrâmicas tradicionais, a dar consultas de medicina (curas por magnetismo) pelas quais ele não cobra, à elaboração de sua literatura e realizando semanalmente viagens à capital venezuelana:

“Durante a etapa da vida no Ashram em El Limón, o Maestre viajava às 6as feiras a Caracas para atender a três atividades fixas: a Escola Iniciática, o Cerimonial Cósmico no Templo aos domingos e o Conselho Supremo. Também dava conferências a nível universitário, palestras em templos Maçônicos (em uma ocasião, levou um ramo de acácia com seu significado especial para a Maçonaria) e assistia ao ofício do Alto sacerdote da Igreja Católica Liberal na Igreja de São Clemente Parois (...) Quando ia a Caracas, se reunia com um grupo de irmãos no Edifício Orinoco.” (7,68/69)

Desta época, enquanto corria o ano de 1948,Maestre o Maestre nos relata de algumas de suas muitas passagens anedóticas vividas junto a seu Maestre:

“...um sábado, às 12 da noite no Edifício Orinoco em Caracas,, agarrando-me as mãos e com os olhos cintilantes, me disse: ‘Estrada, entenda, temos que transformar o mundo.’” (6,205)
“Recordo que na estrada de Caracas a Maracay, o sábado santo de 1948, me disse: ‘Tua missão não é inferior à minha’ (foi a única vez que o ouvi dirigir-se a mim na 2(TM) pessoa). Isso me levou á conclusão de ele tinha uma missão na Europa e o H. M. na América.”

“Em uma ocasião, os maçons nos convidaram a uma reunião da Grande Loja onde se reuniam todas as Lojas da Venezuela para ouvir sua palavra. Quando chegou o momento, passou ao Oriente, como dizemos os maçons, voltou-se e disse: ”Tome a palavra por mim, Estrada.’ Eu senti como um peso que me caía em cima: ‘Como é possível que eu agora vá a representá-lo?’ Na realidade, me sentia demasiado pequeno para tal função, porém era o Maestre que me ordenava e eu tinha que cumprir.

Assim, tomei a palavra e falei de muitas coisas, recordo que falei sobre a Cruz de Aquarius, etc., e senti que era ele quem falava pela minha boca, senti que, na realidade tinha o poder para faze-lo, porém quando mais senti que inha esse poder, foi quando ele resolveu que eu me calasse. Chegou um momento em que senti que foi-se de mim a corrente e tive que dizer: ‘Senhores, terminei...’” (6,402)

É um período que seus discípulos diretos recordarão com grande intensidade, já que têm a oportunidade d conviver com seu Maestre na relação tradicional entre o Guru e seus discípulos:
“Recordo-me de que uma vez, viajando, chegamos a um ponto chamado A Encruzilhada; eram 3 horas da tarde e esperando ali o ônibus que nos conduziria 2(TM) feira à tarde de Maracay a Caracas, se aproxima uma senhora e lhe diz:

‘– Senhor, tenho minha filha grave, me acabam de trazê-la do hospital.’ (estava em uma camioneta) ‘Quero que a veja, Senhor.
Me disse ele:
’– Siga-me, Estrada.’
Segui-lhe, e quando chegamos ao quartinho, porque era um quartinho de um rancho, me disse em voz baixa na porta:
’– É tifóide, Estrada.’
Entrou, viu-a, estava magrinha a menina, lhe deu um passe magnético e me disse:
’– Pronto, Estrada, vamo-nos.’
Eu vi que a menina ficou como estava quando entramos, fomos esperar o ônibus que tardava sempre muito para passar por aí... Momentos depois, nos encontrávamos de novo na estrada, esperando o ônibus, quando logo chega apressado o pai da menina e com toda reverência e alegria, diz:
’– Obrigado, Senhor, pela cura de minha filha, levantou-se perfeitamente bem, não tenho com que pagar-lhe a saúde de minha filha.’
O Maestre, algo sorridente lhe disse:
’– ´É prazer para mim, irmão, sua alegria.’” (6,403/586)

O Mestre Mejías nos narra sua experiência na vida cotidiana junto ao Maestre:

“É necessário viver a portas fechadas com o Maestre para conhecer o que representa ele. Nas pequenas, íntimas incidências da vida diária, obtemos, usualmente, reveladores vislumbres do caráter de um homem: poderia escrever volumes contendo tais detalhes íntimos da vida do Maestre; todos mostram a autêntica grandeza do homem, sob todas as circunstâncias. Há muitos instrutores cujos ensinamentos não coincidem com suas práticas: o Maestre vive de acordo a sua teoria sem desviar-se dela nem um instante...” (16,34)

“Nunca esquecerei o Maestre como o vi ali, em sua humilde cabana coberta com palha, cujo único móvel era um tosco banco, duas caixas de embalagem e um primitivo altar...” (7,71)

A tarefa que os dois Maestres, de la Ferrière e Estrada assumiram, a partir de um retorno às fontes e princípios das tradições Iniciáticas, consiste em construir um novo modelo de vida, um paradigma diferente, que responda às necessidades da Humanidade nos novos tempos. No Oriente, este modelo tem sido representado periódica e historicamente, recordado através de uma linguagem religiosa na figura de um guia iluminador, que se conhece com o nome de Avatar; o Maestre Estrada nos relata:

“Em 1948, na casa de Mileo, antes de sentarmos à mesa um domingo às 2 da tarde, (o Maestre) desenhou um zodíaco no quadro negro, e na constelação de Aquarius pôs a palavra AVATAR (com todas as maiúsculas) e na de Leão pôs Avatar, com a primeira maiúscula! Eu me encontrava atrás dele e já para chamar-nos a comer se voltou para mim e disse (com os olhos fixos em mim): ‘Uhú... que lhe parece?’, eu lhe respondi: ‘Está bem’, e em seguida nos levaram à mesa...” (6,105)

Durante sua estância no Ashram, o Maestre termina sua terceira Mensagem: “Os Mistérios Revelados”: “OUSAR é a mensagem número III, que dá a LUZ sobre os pontos ocultos, estão aqui as claves mais importantes que nunca foram dadas ao público... É uma chamada aos que sabem!... De cuja leitura deveriam sair os instrutores... O mistério está revelado!...” (59,31)

“Somente há que estabelecer uma diferença entre os Centros Esotéricos e os Colégios Iniciáticos. Os primeiros são reuniões de Iniciados, enquanto que os outros são grupos de estudantes da Iniciação (...) A Escola Iniciática é um lugar de disciplina; não entra todo o que quer; há um ensinamento preparatório, e exames que passar antes de abordar o menor grau (...) Contudo, enquanto que esses Centros existem permanentemente, as escolas não se fundam mais que de tempo em tempo, ao largo da História. Por quê? A razão é muito simples: é nesses Centros Esotéricos onde se conserva toda a Tradição Iniciática...” (16,173/174)

“O Colégio Iniciático ensina as diferentes tradições, menciona as distintas escolas, as variadas filosofias, não pertence a nenhum dogma e está por em cima de todas as religiões e de todas as doutrinas.” (16,183)

No mesmo período elabora seu texto: Posições planetárias 1900-1950, cuja segunda edição aumentada e corrigida elabora na Argélia no ano de 1953 com o título: Documentação Astrológica:

“...a Astrologia é, sem dúvida, uma das ciências mais antigas, porque tão logo o homem começou a pensar, deveu simplesmente mirar ao céu e onde, por uma natureza objetiva, analisou as estrelas, ou por uma natureza mística preparou-se a orar, com seu olhar voltado para o alto, deveu captar o movimento da grande abóbada. De uma maneira ou de outra, esta contemplação na base das meditações primitivas foi certamente o nascimento das ciências.” (13,149)

No Natal de 1949, o Maestre faz um reconhecimento especial a Ismael Pacheco, o primeiro de seus discípulos a ir ao Ashram morar com ele:

(fala o Maestre Estrada) “Foi o primeiro a chegar no Ashram a compartilhar a vida com o Maestre, pelo que o Maestre o elogiou muito na noite de 24 de dezembro de ’48 (...) Lembro-me de que (...) me disse em Caracas: ‘Prepare comida para 24 ou 25 pessoas’. Ele ia se reunir essa noite próximo de Maracay, no Ashram de El Limón. Quase não havia luz, pois era um povoado retirado da cidade, e naqueles tempos havia certas limitações.

Ele fez sua cerimônia às 12 da noite e depois foi à mesa e nos sentamos todos. Um discípulo não coube na mesa, na realidade, não havia assento, então se sentou no solo.

Na porta, o Maestre (então lhe chamávamos Mestre) havia preparado o pão sem nos darmos conta, e logo apresenta a cesta de pão rabanado e começa a reparti-lo, eu estava perto e observei tudo: deu seu primeiro pedaço de pão a sua esposa, depois o deu a mim, logo a outro, porém havia um a quem eu cria que deveria tocar-lhe, pois imediatamente captei que os estava catalogando a todos ao repartir o pão. Porém, não o dava àquele homem, passava sobre ele e dava a outro e a outro, até que, ao passar do tempo, deu-o a esse a quem eu acreditava que deveria ser o próximo o último pedaço de pão (...) se dirigiu a Pacheco com seu último pedaço de pão com estas palavras: ‘Dou meu último pedaço de pão a esse meu primeiro discípulo que veio conviver com o Mestre (...) queira Deus que todos sigam o exemplo deste Discípulo.’ Mais tarde, o Maestre nomeou-o ‘o Ancião do Ashram’, ainda que aparentava ter somente trinta anos de idade.” (6,120/404)

Em Venezuela, o Maestre cumpre 33 anos de idade no Ashram de El Limón, e outorga os primeiros graus Iniciáticos de GETULS a seus discípulos José Manuel Estrada, Juán Victor Mejías e Ismael Pacheco, a 1? de maio de 1949.

Segundo uma tradição milenar, onde os Iniciados passam por um processo de “morte e renascimento”, onde termina e se dá início a uma nova etapa na vida do indivíduo, o Maestre foi batizado simbolicamente pelo Maestre José Manuel Estrada, em cerimônia especial:

“...Cerimônia que encerrou uma grande transcendência INICIÁTICA (se repetiu a história atribuída a João Batista, o Mui Venerável do Colégio dos Essênios, que anunciou a Cristo e depois o batizou?). Fui assessorado naquele ato pelo hoje Guru Juan Victor Mejías, Guardião do Templo de Caracas. Foi a 1? de maio, dia das altas Iniciações , durante a Cerimônia Cósmica celebrada pelo Maestre no Ashram às 10 da manhã, no pátio do antigo terreno, hoje residência de sua esposa. Recordo-me de que a Cerimônia teve lugar ao ar livre, sob um céu limpo com um sol tropical e como diria o Maestre: ‘entre a jungle’ (...) Devo aclarar que aquela espécie de batismo não se fez com água, foi uma cerimônia de imposição de mãos. Seria, aquele ato, uma Iniciação transmitida das mãos do H.:M.: com seus 48 anos ao Maestre com seus 33 anos. Mistérios do Grande Sendeiro!” (6,80/123)

“...é curioso que à maneira do cumprimento de uma tradição, (...) o primeiro Colégio Iniciático da Nova Era (...) foi fundado próximo ao Maestre cumprir 33 anos de idade, com o duplo significado de que ao mesmo ano me tocou a honra de batizá-lo...” (6,79)

A 25 de maio de 1949, o Maestre envia ao Congresso Internacional das Forças do Espírito, em Paris, uma Mensagem especial:

“Se perdem na noite dos tempos a formação de uma Fraternidade que quis ensaiar elevar o Ser Humano por em cima da condição humana habitual (...) A Franc-maçonaria é uma instituição filantrópica, filosófica e progressiva que tem por objeto o exercício da beneficência, o estudo da Moral Universal, a análise das ciências e a prática de todas as virtudes, porém ela foi, amiúde, mal servida por membros egoístas que discutiam seus interesses pessoais e criaram assim divisões (...)”

“O grande público geralmente sente certa dificuldade quando se trata de esoterismo, de ocultismo ou de iniciação, e por Maçonaria vislumbra imediatamente uma espécie de Magia inqualificável, porque o povo, cego pelo fanatismo, involucra imediatamente associação secreta com Maçonaria, e esta, para muita gente, não é mais nem menos que a fonte de crimes odiosos e práticas de infame bruxaria (...) Já é tempo que isso mude em nosso século de intelectualidade, longe de certas épocas que prefiro não recordar...” (17,17/18)

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